domingo, 11 de março de 2018

Capitalismo mercantil no século XXI


No século XV, os países europeus se viram com a necessidade de trocar seus excedentes de mercadorias – agrícolas e artesanais – com outros países. Como as estruturas produtivas dos países europeus eram praticamente idênticas, eles precisavam buscar novos mercados. Eis que os mercadores se lançaram ao mar e surgiu o ciclo das grandes navegações. A escala do comércio internacional ampliou-se significativamente e as diferentes nações europeias encararam uma concorrência forte entre elas.

Foi então que essas nações começaram a adotar políticas protecionistas, entre elas o uso de barreiras tarifárias. O mecanismo é simples: impõe-se uma taxa sobre produtos importados de tal maneira que seu preço se eleve sensivelmente e, então, ele não ofereça um risco concreto aos produtos nacionais que estão competindo no mercado. A ideia central é proteger o lucro dos empresários locais e os impostos gerados por essa atividade produtiva.

O tempo passou e nesse meio tempo uma importante mudança ocorreu: o capitalismo se consolidou. O modo de produção capitalista elevou fortemente o ritmo de produção de mercadorias e as nações onde esse sistema se consolidou precisavam de mercados cada vez mais amplos para realizar o lucro de suas empresas.

Saltando no tempo para o século XXI, o capitalismo continua buscando mercados cada vez mais amplos para seus produtos. Por isso o clamor de empresas transnacionais e organismos multilaterais pela queda de toda e qualquer barreira ao livre comércio.

Por isso, chama a atenção que a nação que mais patrocina discursos pelo livre comércio tenha adotado medidas protecionistas que remetem aos tempos pré-capitalistas. O presidente Donald Trump anunciou a elevação das taxas sobre a importação de aço e alumínio em 25% e 10% respectivamente com o objetivo explícito de proteger a indústria nacional. Diferentemente em relação aos tempos do mercantilismo, desta vez, a medida conta com apoio inclusive dos sindicatos de trabalhadores preocupados na preservação de seus empregos.

O capitalismo é o modo de produção hegemônico na economia mundial. Isso não quer dizer que ele não possa coexistir com outras formas de organização econômica. Nomadismo, práticas feudais e artesanais persistem nos tempos atuais e não vão desaparecer. Não espanta o uso de práticas mercantis no comércio internacional.

A diferença é que essa atitude dos EUA pode simplesmente ser uma estratégia de negociação. Canadá e México já estão fora da medida. E em seu pronunciamento, o presidente americano anunciou que está disposto a negociar com outros países, desde que estes “tratem bem” aos Estados Unidos. Em pleno apogeu o capitalismo, recorremos à praticas mercantilistas para obter ganhos. Não deixa de ser uma motivação típica do capitalismo.

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